Regresso às origens...
- Lucas

- 5 avr.
- 2 min de lecture

Cada regresso à cidade onde nasci, cresci, vivi os meus primeiros risos e as minhas primeiras emoções, é como uma viagem no tempo, ao mesmo tempo retrospetiva e introspectiva.
Tudo é, ao mesmo tempo, conhecido, familiar e novo.
Lugares que sussurram fragmentos do meu passado.
Um recanto carregado de memórias, de nostalgia…
Quando me deixo levar pela redescoberta destas ruas, destas paisagens, acolho com ternura as emoções que delas emergem.
Rostos familiares que, por vezes, me reconhecem… outros, desconhecidos.
Alguns continuam presentes, como se o tempo não tivesse passado por eles…
Tudo parece suspenso, enquanto me recorda a passagem inevitável do tempo…
Ainda assim, nesta pequena cidade da Occitânia que outrora tive tanta pressa em deixar, as paisagens permanecem como um refúgio… como se viessem lembrar à criança que fui, ainda viva dentro de mim, o quanto amou aqueles momentos, aqueles castelos, aquelas aventuras, aquelas caminhadas, todos esses instantes preciosos.
Essa criança que ainda se lembra do cheiro da relva cortada, das curvas dos prados, das colinas… das noites de verão, dos risos, dos seus amigos.
Eu, que como terapeuta trabalho há anos com a criança interior, eu que vi tantas meninas e tantos meninos ganharem vida e libertarem-se através dos adultos, nas minhas sessões, retiros e seminários… reencontro aqui a minha e caminho sobre os seus passos…
Cada regresso às origens é um regresso a mim… uma reconexão ainda mais profunda com a minha criança interior, que surge diante dos meus olhos, ao virar de uma paisagem, de uma emoção… através das minhas memórias…

Voltar ao passado também é encontrar os medos, as dores, a própria história…
Desta vez, a minha criança está acompanhada. Estou presente ao seu lado, para a acolher, apoiar e proteger.
Recordo-lhe que é amada, que está segura, que pode confiar.
Juntos, avançamos mais leves, prontos para seguir em frente.
Ouço essa parte de mim perguntar: “Realizaste os nossos sonhos?”
Alguns, sim. Outros ainda estão por viver…
O caminho continua diante de nós, e juntos seguimos abertos a novas aventuras.
Cada regresso às origens lembra quem fomos, os sonhos que tivemos, e o que escolhemos fazer com eles…
“Então, realizaste os nossos sonhos?”
— Ainda não o suficiente…
Vem, dá-me a mão e continuemos juntos esta viagem rumo a um futuro onde tudo é possível.
E tu, realizaste os teus sonhos?







